** A Honda apostou na continuidade com o HR-V 2026. Diferente do City, que precisava de uma revolução para se destacar, o HR-V, o quarto SUV mais vendido do Brasil entre janeiro e julho de 2025 (com 36.086 unidades emplacadas, atrás apenas do Volkswagen T-Cross – 53.551 unidades, Hyundai Creta – 39.032 unidades e Toyota Corolla Cross – 36.955 unidades), parece ter encontrado sua fórmula mágica: conservadorismo estratégico. Afinal, pra que mexer em time que está ganhando, né?
Ele não tem o menor preço, nem as melhores ofertas, mas conquista seu público. O segredo? Uma combinação certeira de visual esportivo com o conforto de um SUV, algo que o brasileiro adora! A beleza do HR-V, aliás, só parece melhorar com o tempo.
Mas nem tudo são flores. Algumas sutilezas podem decepcionar quem busca tecnologia de ponta. Fizemos um test drive de aproximadamente 600 km pelas ruas de São Paulo e estradas do interior paulista para avaliar a fundo essa nova versão.
**A experiência ao volante:**
Durante o teste, a frase “Honda é Honda” foi ouvida várias vezes. O HR-V se impõe no mercado, briga de igual para igual com os gigantes. As mudanças em relação à versão anterior (lançada em 2025) são mínimas, basicamente estéticas: grade frontal com acabamento preto brilhante na versão Touring, setas sequenciais e lanternas traseiras totalmente em LED. Só isso!
A traseira estilo cupê, a grade redesenhada e a altura reduzida conferem um ar mais agressivo. Mas o que realmente impressiona é a posição de dirigir mais baixa, parecida com a do Civic. Isso, junto com as trocas de marchas manuais no volante (na versão Touring) e o câmbio elevado, mesmo sendo automático, reforça a sensação esportiva. Olha, a diferença é gritante se comparado ao City, que, apesar das borboletas no volante, não consegue transmitir a mesma experiência. O motor aspirado do City, aliás, perde feio para o 1.5 turbo do HR-V Touring, com seus 177 cv de potência.
O motor turbo do HR-V é um show à parte, embora fique atrás apenas dos 193 cv do Hyundai Creta 1.6 turbo. A combinação da posição de dirigir, potência do motor e trocas manuais no volante resulta numa experiência de condução única no segmento. O Creta, apesar de mais potente (aceleração de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos, contra 8,9 segundos do HR-V), não entrega a mesma emoção.
Em rodovias e no trânsito urbano, o HR-V se comportou muito bem. Aceleração, retomadas e ultrapassagens foram fáceis. A suspensão equilibrada garantiu segurança em curvas. A diferença para o City, com seu motor aspirado, é abissal. Competidores como o Peugeot 208, com motor potente, design esportivo e carroceria mais baixa, mostram que a Honda poderia ousar mais no City.
**Pontos negativos:**
Apesar dos acertos, o HR-V apresenta três problemas incômodos, herdados inclusive do City:
1. **Piloto automático adaptativo:** Embora funcione bem no trânsito pesado, ele pode reagir de forma brusca e insegura quando um carro à frente sai da sua trajetória, mesmo que não freie. Em algumas ocasiões, o HR-V quase parou completamente em vias expressas com velocidades acima de 60 km/h.
2. **Assistente de permanência em faixa:** Só funciona acima de 72 km/h. Abaixo disso, desliga sem aviso sonoro, apenas mudando a cor do ícone do volante no painel de branco para verde. Impossível usá-lo na cidade.
3. **Alerta de ponto cego:** Funciona apenas do lado direito e usa uma câmera. Ao acionar a seta, a imagem da câmera ocupa toda a tela multimídia, obrigando o motorista a escolher entre o alerta ou o mapa. A solução da Hyundai, que exibe a imagem da câmera no painel, é bem melhor.
Estes três pontos são, de fato, decepcionantes. Entretanto, considerando a proposta mais esportiva do HR-V, o foco no controle manual pode justificar a escolha da Honda.
**Porta-malas:** Um ponto crucial para famílias é o porta-malas, menor que o dos principais concorrentes: 354 litros contra 373 litros do T-Cross (+5,4%), 422 litros do Creta (+19,2%) e 440 litros do Corolla Cross (+24,3%).
**Vale a pena?**
O HR-V 2026 entrega o básico com maestria: sensação ao volante agradável, dirigibilidade estável e visual elegante. Mas a concorrência oferece mais tecnologia, como os SUVs híbridos Haval H6 One (R$ 199 mil, R$ 9,9 mil mais barato que o HR-V Touring) e porD Song Pro (R$ 189.990, R$ 19,9 mil mais barato), com consumo de combustível significativamente menor (Haval H6 One híbrido convencional e porD Song Pro híbrido plug-in com autonomia de até 62 km em modo elétrico). A decisão, portanto, depende das prioridades de cada um.
Fonte da Matéria: g1.globo.com