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Morre aos 86 anos o pianista Miguel Proença, referência na música brasileira e ícone da cultura carioca

O Rio de Janeiro se despediu de uma de suas maiores figuras da música erudita. Miguel Proença, pianista de renome internacional, faleceu na noite de ontem, 22 de agosto, aos 86 anos, no Hospital São Vicente, vítima de falência múltipla dos órgãos. A notícia, divulgada nas redes sociais e confirmada pelo amigo e cantor Márcio Gomes ao g1, causou comoção entre os amantes da música clássica. “Miguel respirava Arte”, escreveu Gomes, em uma comovente homenagem.

Nascido em 27 de março de 1939, na cidade gaúcha de Quaraí, Proença nutria uma paixão visceral pelo piano desde a infância. Conta-se que, ainda criança, ao ouvir o som do instrumento vindo de um casarão, ele se apaixonou instantaneamente. Essa paixão, na real, definiu toda sua trajetória.

Sua jornada musical começou nos bares e clubes do sul do Brasil, mas logo se expandiu para o mundo. Após aperfeiçoar sua técnica em Hamburgo e Hannover, na Alemanha – onde também realizou concertos – Proença se estabeleceu no Rio de Janeiro, tornando-se um pianista aclamado por seu estilo único.

Por mais de 60 anos, Proença encantou plateias com interpretações memoráveis de compositores brasileiros, como Alberto Nepomuceno, César Guerra-Peixe, Edino Krieger, Ernesto Nazareth, Oscar Lorenzo Fernández, Radamés Gnattali e, claro, o imortal Heitor Villa-Lobos. Sua discografia é vasta e impressionante, culminando na coletânea “Piano Brasileiro” (2005), com dez CDs que mostram a maestria e a sensibilidade do artista. Olha só a riqueza da obra dele!

Mas a contribuição de Proença transcende a performance musical. Ele foi um educador e gestor cultural fundamental para o Rio. Entre 1983 e 1988, ocupou o cargo de Secretário Municipal de Cultura, período em que fundou a Orquestra de Câmara da Cidade do Rio de Janeiro. Também dirigiu a Sala Cecília Meireles (em 1987 e novamente entre abril de 2017 e dezembro de 2018) e a Escola de Música Villa-Lobos. Incrível, né?

Com o projeto “Piano Brasil”, Proença democratizou o acesso à música clássica, levando masterclasses e recitais a regiões com menor acesso à cultura. Tipo assim, ele levou a beleza da música erudita para todos.

A morte de Miguel Proença representa uma perda irreparável para a música brasileira. Ele deixa um legado imenso, não apenas pela sua brilhante carreira como pianista, mas também pela sua dedicação à educação e à difusão da cultura. Sua paixão pelo piano, aquela paixão à primeira vista na infância em Quaraí, ecoará para sempre nas notas de seus concertos e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Sua partida deixa um vazio enorme, mas sua música continuará a inspirar gerações.

Fonte da Matéria: g1.globo.com