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“Uma Batalha Após a Outra”: Ação, Sátira e uma Dose de Culpa na Obra-Prima de Anderson e DiCaprio

Olha só, gente! Paul Thomas Anderson, o cara que nunca erra – lembram de “Licorice Pizza”? – se juntou a Leonardo DiCaprio pela primeira vez, e o resultado? Um dos melhores filmes do ano, sem dúvida! Estreando nos cinemas brasileiros nessa quinta (25), “Uma Batalha Após a Outra” já tá com tudo para brigar forte pelo Oscar de 2026. A trama? Uma sátira afiadíssima sobre o autoritarismo nos EUA, misturando humor ácido, ação frenética e um baita debate social. A qualidade? A de sempre, sabe? O Anderson é um dos maiores diretores da geração dele.

A fotografia, a trilha sonora, o som… tudo impecável! Mas, na real, o que rouba a cena mesmo é a atuação monumental do Sean Penn. Meu Deus, gente! Essa pode ser a melhor atuação da carreira dele, que já é recheada de papéis incríveis. O filme, porém, tem um pequeno defeito: um certo excesso. Me parece que o Anderson, um cara branco americano escrevendo sobre racismo e xenofobia, cai num tom quase condescendente em alguns momentos. Acho que alguns temas delicados precisavam de um pouco mais de sutileza.

Baseado livremente no livro “Vineland”, de Thomas Pynchon (o mesmo de “Vício Inerente”, de 2014, também adaptado por Anderson), o filme acompanha DiCaprio como um ex-revolucionário meio atrapalhado que precisa enfrentar um inimigo do passado (Penn) pra salvar a filha (Chase Infiniti). O cenário? Uma versão ficcional, mas nem tanto, dos EUA sob o jugo de um governo fascista.

A história, apesar de alguns flashbacks, se concentra num só dia, no embate indireto entre os dois. De um lado, DiCaprio, com a mente e o corpo detonados por anos de drogas e álcool, enfrenta a força bruta do governo. Do outro, Penn, tentando fechar as pontas para se juntar a uma sociedade secreta racista que controla o país. A trama simples ajuda a manter a energia lá em cima, evitando que o filme, com mais de duas horas e meia, fique cansativo.

DiCaprio, apesar da boa índole, mostra-se um tanto incapaz. Mas, sabe? Essa tenacidade dele diante da própria incompetência cria um herói adorável, humano, sem grandes feitos heroicos. Já Penn? Ele constrói um vilão perfeito para a sátira: determinado, perverso, com maneirismos ridículos o bastante para ser assustador e patético ao mesmo tempo. O magnetismo dele é tanto que a gente quer ver mais e mais cenas com ele, mesmo sentindo repulsa.

As atuações são de tirar o fôlego! Além da dupla principal, a estreante Infiniti (“Acima de Qualquer Suspeita”) e a cantora Teyana Taylor brilham. Tudo isso elevado por uma fotografia impecável, uma edição de som poderosa e a trilha sonora nervosa de Jonny Greenwood (Radiohead), que colabora com Anderson desde “Sangue Negro” (2007). As músicas dele criam uma tensão incrível, equilibrando angústia e leveza.

Mas, vamos falar do elefante na sala: a idealização. É difícil ignorar o olhar quase condescendente do roteiro para com as minorias. Isoladamente, algumas escolhas parecem boas – como a escalação de Teyana Taylor como líder revolucionária. Mas, juntas, elas soam forçadas. Um professor de karatê latino (Benicio del Toro) que salva imigrantes, uma suposta freira negra (April Grace) liderando noviças rebeldes… quando um capanga nativo-americano demonstra dúvida, a gente já sabe que ele vai ter sua redenção.

Dá pra justificar isso como exagero caricato ou reparação histórica, né? Hollywood sempre amou usar essas minorias como vilões. Mas, ao exagerar na direção oposta, o filme idealiza essas minorias, o que também não é ideal. Em resumo: um filme brilhante, com pequenas falhas que merecem ser apontadas.

Fonte da Matéria: g1.globo.com