** A 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU começou na terça-feira (23), com a tensão no ar. Gaza, a questão palestina e a guerra na Ucrânia são os principais assuntos que vão pautar os discursos dos líderes mundiais. Imagina só, a primeira Assembleia Geral sob o segundo mandato de Donald Trump, um cara que, vamos combinar, não é lá muito fã do multilateralismo! Pra quem não se lembra, multilateralismo significa países trabalhando juntos, sabe? Ao invés de cada um por si (unilateralismo) ou só dois conversando (bilateralismo), todo mundo se junta numa organização internacional, tipo a ONU, a OMC ou o Mercosul, pra criar regras e acordos.
O tema oficial de 2025 é “Melhores juntos: 80 anos e mais pela paz, desenvolvimento e direitos humanos”. Legal, né? Mas, na real, os líderes vão falar mais sobre o que os interessa. E quem abriu a festa? O presidente Lula, claro! É tradição o Brasil começar os discursos. Logo em seguida, Trump, o anfitrião.
**Como funciona a Assembleia Geral?**
A Assembleia Geral é um encontro anual de chefes de Estado e autoridades dos 193 países membros da ONU. Este ano, o evento durou seis dias. O principal evento é o “Debate Geral”, onde cada país tem seu momento pra falar sobre o que quiser, sobre a situação global e o tema da reunião. A ONU foi criada em 1945 com 51 membros e hoje tem quase o quádruplo! Líderes de Estados observadores, como a Santa Sé e o Estado da Palestina, e a União Europeia também participam.
**Os Discursos: Ordem e Tempo**
O Brasil sempre abre a sessão, uma tradição que começou lá no início da ONU, quando o Brasil se ofereceu para falar primeiro, enquanto outros países hesitaram. Depois, é a vez dos EUA, como anfitrião. A ordem dos demais segue uma hierarquia: chefes de Estado, vice-chefes, príncipes herdeiros, e assim por diante.
O tempo? Idealmente, 15 minutos. Mas, olha só, Fidel Castro, em 1960, bateu um recorde com um discurso de quase quatro horas e meia! E Muammar Gaddafi, em 2009, falou por mais de uma hora e meia. Ufa!
**O Discurso de Lula**
Lula, no seu discurso, tocou em temas importantes: soberania nacional, democracia, cooperação internacional, mudanças climáticas, e as guerras em Gaza e na Ucrânia. O discurso, finalizado perto da data do evento, serviu também para mandar recados para Trump. Ele defendeu a soberania brasileira contra as tarifas impostas por Trump, que pareciam uma interferência na condenação de Bolsonaro pelo STF. Lula criticou a “guerra tarifária”, sem atacar Trump diretamente.
Na questão ambiental, ele cobrou mais empenho na preservação e na transição energética, reforçando o papel do Brasil como anfitrião da COP30 e a soberania amazônica em contraponto à atuação militar dos EUA no Caribe. Ele defendeu ainda a democracia, boas relações internacionais e a reforma da ONU. Sobre a Ucrânia, Lula advocou por negociações entre Rússia e Ucrânia. Em relação a Gaza, ele criticou a resposta israelense, considerando-a uma tentativa de erradicar os palestinos, e defendeu a criação de um Estado palestino.
**Outros Temas na Assembleia**
Outros pontos importantes debatidos foram:
* **Cessar-fogo em Gaza:** Com a guerra entre Israel e o Hamas se aproximando de dois anos e uma crise humanitária gravíssima, a situação em Gaza foi um foco central. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que enfrenta acusações de crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional (acusações negadas por Israel), também discursou. Mahmoud Abbas, presidente palestino, participou por vídeo, após os EUA negarem seu visto.
* **Reconhecimento do Estado Palestino:** Austrália, Reino Unido, Canadá e Portugal se juntaram a mais de 140 países que reconhecem o Estado Palestino, incluindo o Brasil. Essa decisão foi impulsionada pela ofensiva israelense em Gaza, iniciada em 2023, após o ataque do Hamas a Israel, que resultou em mais de 1.200 mortos e centenas de reféns em Israel, e cerca de 68 mil mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. França e Arábia Saudita lideraram reuniões para promover a solução de dois Estados, rejeitada por Netanyahu.
* **Guerra na Ucrânia:** Zelensky buscou reforçar o apoio global a Kiev, enquanto Trump tentou mediar o fim do conflito. A expectativa era alta em relação aos EUA, para ver se Washington anunciaria novas sanções contra a Rússia para pressionar Putin a negociar com Zelensky.
* **Tensões EUA-Venezuela:** Com o aumento da presença naval dos EUA no Caribe e ataques a navios venezuelanos, a tensão entre os dois países ficou evidente. O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yvan Gil, discursou na Assembleia, e o presidente Nicolás Maduro acusou os EUA de quererem derrubá-lo.
**E se um país critica o outro?**
Críticas são comuns! Se um país se sentir ofendido, pode pedir um “direito de resposta”, formalmente por escrito. São permitidas até duas respostas, de 10 e 5 minutos, sempre no final do dia. Outra prática comum é a delegação se retirar em protesto, algo frequentemente visto entre Israel e Irã.
Fonte da Matéria: g1.globo.com