A 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, que começou em 9 de setembro, tá bombando! A cúpula, presidida pela ex-ministra alemã Annalena Baerbock, reúne os 193 Estados-membros num momento, digamos, tenso na geopolítica. Imagina só: guerra na Ucrânia, a situação em Gaza, e os EUA com essa política protecionista, esquentando ainda mais o clima. A foto da Annalena falando com jornalistas na sede da ONU em setembro de 2025, tirada pela Reuters/Jeenah Moon, resume bem o clima: é muita coisa rolando ao mesmo tempo.
Essa Assembleia, o principal órgão deliberativo da ONU, funciona com o princípio “um Estado, um voto”. Todos têm voz, mas a partir do dia 23, a coisa pega fogo com o Debate Geral, com os chefes de governo discursando. E sabe quem abre a dança? O próprio Lula! Ele vai discursar, e tudo indica que vai ter um embate com os EUA.
A agenda tá recheada de temas importantes: política, economia, questões sociais, meio ambiente e segurança. Além disso, vai ter várias cúpulas paralelas sobre clima, economia global e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aqueles acordos de 2015 pra acabar com a pobreza e proteger o planeta. Lula, por exemplo, deve participar de cúpulas sobre os territórios palestinos e se preparar para a COP30, em Belém, em novembro. E tem mais: vão lançar um novo diálogo sobre governança internacional para inteligência artificial. Olha só que responsabilidade!
Mas, na real, a Assembleia Geral não é só um encontro de boas intenções. As resoluções aprovadas, na maioria, não são vinculativas, ou seja, os países podem apoiar, mas não são obrigados a cumprir. Isso gera críticas, claro. A professora Diana Panke, especialista em Relações Internacionais da Universidade Livre de Berlim, disse à DW que, apesar disso, a Assembleia serve como um palco para os países demonstrarem suas posições e preparar o terreno para acordos mais robustos. “Eles podem iniciar o processo na Assembleia Geral e, depois, convocar uma Conferência das Partes e aprovar um tratado internacional juridicamente vinculativo”, explicou ela. As resoluções, mesmo sem força de lei, criam, segundo Panke, padrões de comportamento que o público pode usar para pressionar os governos.
Esse ano, as tensões começaram cedo. Em agosto, os EUA vetaram vistos para representantes da Autoridade Palestina. O Brasil protestou. A relação entre Brasil e EUA, que já foi melhor, esfriou bastante com a chegada de Trump ao poder. As trocas de farpas entre Trump e Lula pela imprensa só pioraram a situação. Por isso, o discurso de Lula, que tradicionalmente abre o Debate Geral, deve ser bem estratégico, com um tom forte de defesa da soberania brasileira, considerando as sanções impostas pela Casa Branca e a pressão americana sobre o caso Bolsonaro. E, claro, vai ser um discurso que deve contrastar bastante com o do representante americano, que fala em seguida.
O presidente da Assembleia Geral é eleito anualmente, representando um dos cinco grupos geográficos da ONU. Esse ano, quem ocupa o cargo é Annalena Baerbock. Seu papel é conduzir os debates e garantir que todos tenham a chance de falar.
O Debate Geral vai rolar entre 23 e 29 de setembro, com o tema “Melhor Juntos: 80 anos e mais para paz, desenvolvimento e direitos humanos”. O Brasil, por tradição diplomática desde 1947, abre os discursos. Mas, esse ano, a situação é mais complexa do que em anos anteriores, quando o discurso de Lula era seguido pelo do então presidente americano, Joe Biden. O palco da ONU dá uma visibilidade enorme para o representante brasileiro, e Lula vai precisar usar essa oportunidade com sabedoria.
Fonte da Matéria: g1.globo.com