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O Frenesi de “Guerreiras do K-pop”: Sucesso da Netflix deixa a Coreia do Sul em polvorosa

“Guerreiras do K-pop” (Kpop Demon Hunters, em inglês), um estrondoso sucesso da Netflix, tá bombando tanto na plataforma quanto nas telonas! A loucura é tanta que até um monge budista entrou na onda. Olha só: ele fez um Chondojae, um ritual budista tradicional, pra banda fictícia Saja Boys, os vilões charmosos do filme! O detalhe? A banda não existe na vida real, só no universo animado da animação. Ainda assim, o vídeo da cerimônia no YouTube viralizou! Os Saja Boys, com visual impactante e uma aura de “anjos da morte” (uma das traduções de “saja”), conquistaram fãs aos montes, mesmo sendo os “mocinhos ruins”. A live do ritual durou mais de duas horas, atraindo mais de 4 mil espectadores – o maior público online que o monge youtuber (que prefere o anonimato, mas a BBC confirmou que é um monge registrado) já havia visto numa cerimônia. Nem ele, porém, pôde garantir a salvação das almas dos Saja Boys, ou até mesmo do protagonista, Jinu: “Isso depende do bom carma dele. Posso guiá-lo, mas não posso prometer nada”, disse o monge.

A Netflix, aliás, garante que “Guerreiras do K-pop” é seu filme mais assistido de todos os tempos. Na Coreia do Sul, a empolgação é gigantesca! Produzido e dublado por coreano-americanos, desenvolvido pela Sony e lançado pela Netflix, o filme tem raízes profundas na cultura coreana. A trama gira em torno de uma banda feminina de K-pop, as Huntrix, caçadoras de demônios com poderes musicais. A trilha sonora, claro, é puro K-pop e já tá no topo das paradas mundo afora.

Esse sucesso gerou um verdadeiro furacão na Coreia do Sul e em outros países: fascínio pela cultura coreana retratada, mas também um baita FOMO (medo de estar perdendo algo). A ausência do filme nos cinemas sul-coreanos, por enquanto, tá deixando muita gente com inveja dos americanos. “Ver todos esses vídeos das pessoas cantando junto nos cinemas…eu estou com inveja dos americanos!”, escreveu uma fã. Outra prometeu: “Se KDH [sigla em inglês para Guerreiras do K-pop] chegar aos cinemas daqui, até tiro um dia de folga” – uma promessa e tanto na Coreia do Sul, conhecida por sua cultura de trabalho intensa.

Qual o segredo do sucesso? Parte dele reside no respeito. Muitos coreanos temem representações distorcidas de seu país nas telas, principalmente com a popularização da cultura coreana globalmente. Uma representação errada de um sucesso global seria devastador. “Já assisti a vários filmes e dramas sobre cultura coreana, cheios de erros. Confundiam com tradições chinesas ou japonesas, os atores falavam um coreano estranho, tudo muito superficial”, conta Lee Yu-min, 30 anos. “Mas fiquei genuinamente impressionada com a forma como KDH retratou nossa cultura. Uma casa de telhado de palha da dinastia Joseon, pessoas usando hanbok com penteados característicos… os detalhes estavam quase perfeitos!”, ela destaca, apontando para a cena de abertura. Lee Yu-min confessa que “nunca imaginou” um sucesso dessa magnitude. As músicas do filme, diga-se, estão bombando no Spotify.

O impacto vai além do streaming. O Museu Nacional da Coreia, lar de artefatos tradicionais exibidos no filme e já conhecido como o mais visitado da Ásia, tá lotado! As filas se formam antes mesmo da abertura, com gente ansiosa para ver as exibições e comprar itens da loja oficial. Em julho, foram 740 mil visitantes, mais que o dobro do mesmo período do ano passado. “Cheguei às 10h, horário de abertura, e já tinha umas 100 pessoas esperando”, conta Lee Da-geon, que foi numa segunda-feira para fugir da multidão de fim de semana, mas saiu de mãos abanando: “Tudo que eu queria já tinha esgotado.” Entre os itens mais disputados estavam um broche com um tigre e uma ave pega – inspirados em pinturas folclóricas e personagens do filme, Derpy e Sussie.

Esse boom beneficiou artesãos como Choi Nyun-hee, do ateliê Heemuse. “Meu faturamento aumentou cerca de cinco vezes”, comemora ela, contando que seus produtos agora são exportados para os EUA e Austrália. Tudo começou quando o norigae (pingente tradicional com madrepérola) em formato de tigre “de repente começou a esgotar”. Choi, que já trabalhou em museu com programas educativos sobre artefatos coreanos, conclui: “A cultura coreana foi retratada bem e integrada à narrativa”.

Mas não foram só as imagens e o simbolismo que cativaram. “Rumi, a heroína, esconde seu verdadeiro eu por constrangimento e vergonha. Me identifiquei com isso”, diz Lee Da-geon. “Na Coreia, as pessoas se preocupam demais com o que os outros pensam.”

Park Jin-soo, um YouTuber que trabalhou na indústria cinematográfica coreana, inicialmente achou que seria “uma animação bizarra de K-pop”, mas se surpreendeu: “Achei profundamente divertido! Eu gostaria de ver KDH nas telas de cinema, especialmente em um momento em que o cinema sul-coreano precisa desesperadamente de sucesso. Streaming e cinemas têm propósitos diferentes. Se eles criarem tendências juntos e viralizarem, a fatia de mercado não vai crescer ainda mais? Eu acho que KDH pode cumprir esse papel”. Para ele, a experiência “sing-along” (cantar junto) só o cinema pode proporcionar, transformando um sucesso de streaming em um sucesso de bilheteria.

Dois meses após a estreia, o sucesso continua! Na América do Norte, as sessões sing-along fizeram de “Guerreiras do K-pop” o primeiro filme da Netflix a alcançar o primeiro lugar nas bilheterias. Os fãs sul-coreanos clamam pela mesma experiência. O Festival Internacional de Cinema de Busan, em setembro, terá sessões limitadas sing-along, mas os ingressos devem ser disputadíssimos. Lee Yu-min, que já assistiu ao filme mais de cinco vezes na Netflix, quer ir ao cinema: “Com certeza vou levar meu marido junto. Ele ainda não viu”. A torcida pela estreia nos cinemas sul-coreanos é enorme: “Estou torcendo para que KDH chegue às salas de cinema da Coreia do Sul”, escreveu um fã. “Sei que nada foi confirmado, mas eu já comecei a decorar todas as letras”. Outro questiona: “Guerreiras do K-pop está em cartaz nos Estados Unidos, Canadá e no Reino Unido… por que não na terra do K-pop?”. A pergunta ecoa o desejo de muitos fãs sul-coreanos por uma experiência cinematográfica completa.

Fonte da Matéria: g1.globo.com