Nesta quarta-feira (2), o bilionário Elon Musk surpreendeu a todos ao elogiar o presidente americano, Donald Trump, por sua atuação na busca por um cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza. Em uma demonstração de, digamos, “paz armada” nas redes sociais, Musk compartilhou um post de Trump na plataforma X, escrevendo: “Crédito onde é devido. Donald Trump resolveu com sucesso vários conflitos sérios ao redor do mundo”. Isso, gente, depois de uma série de embates públicos entre os dois!
A atitude de Musk chega após um dia tenso, terça-feira (1º), em que Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de deportar Musk, respondeu com uma imprevisibilidade digna de filme: “Não sei, acho que vamos ter que dar uma olhada nisso. Talvez a gente tenha que colocar o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) em cima do Elon. Sabe o que é o DOGE? O DOGE é o monstro que talvez tenha que voltar e comer o Elon. Não seria terrível?”. Uau!
Olha só, Musk imigrou para o Canadá na juventude e se naturalizou americano. Em princípio, uma deportação seria impossível. Mas, considerando as recentes ações do governo americano – que chegaram a deportar crianças americanas, filhas de imigrantes – a ameaça não soa tão absurda assim. A fala de Trump parece ecoar um post anterior em que ele insinuava que o DOGE deveria investigar os incentivos federais recebidos pelas empresas de Musk, afirmando que os EUA “economizariam uma fortuna”.
Essa ameaça surgiu poucas horas depois de Musk sugerir a criação de um novo partido político nos EUA, o “Partido da América”, caso o Congresso aprovasse um megapacote fiscal proposto por Trump. Musk critica o pacote, alegando que ele levaria os EUA à falência por aumentar os gastos públicos. O Senado, aliás, aprovou o projeto na terça.
A relação entre Musk e Trump, antes amistosa – Musk chefiou o DOGE (Departamento de Eficiência Governamental) de janeiro a maio deste ano, sob o governo Trump, com a missão de cortar US$ 2 trilhões em gastos federais, e dispensou milhares de empregos e contratos – virou uma verdadeira novela. Após uma saída discreta do DOGE, em maio, Trump inicialmente elogiou Musk. Mas a paz durou pouco.
Uma semana depois, durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz na Casa Branca, Trump declarou sua decepção com as críticas de Musk a um projeto de lei em tramitação no Congresso. Trump disse que Musk já sabia do projeto e questionou se a relação entre eles seria a mesma. A resposta de Musk no X foi imediata: uma negação de ter sido previamente informado e a afirmação de que, sem ele, Trump teria perdido a eleição. A resposta de Trump no Truth Social? Uma ameaça direta: “A maneira mais fácil de economizar bilhões e bilhões de dólares em nosso Orçamento é encerrar os subsídios e contratos governamentais de Elon Musk”. A briga virtual tomou proporções épicas, mostrando uma relação que, de amigável, não tem mais nada. A trégua em Gaza, pelo visto, não se estendeu à relação entre esses dois pesos pesados.
Fonte da Matéria: g1.globo.com