O Rio de Janeiro se despediu de um gigante da música. Miguel Proença, pianista de renome internacional e figura crucial na cultura brasileira, faleceu na noite de ontem, 22 de agosto de 2025, aos 86 anos, no Hospital São Vicente, vítima de falência múltipla dos órgãos. A notícia, divulgada nas redes sociais e confirmada pelo cantor Márcio Gomes, amigo próximo do artista, causou comoção entre músicos e admiradores. “Miguel respirava Arte”, escreveu Gomes em uma comovente homenagem.
Nascido em 27 de março de 1939, na pacata Quaraí, no Rio Grande do Sul, Proença se apaixonou pelo piano ainda criança, ao ouvir seu som encantador vindo de um casarão antigo. Essa paixão, meu Deus, que paixão! Foi o alicerce de uma trajetória brilhante e inesquecível. Por mais de seis décadas, sua música ecoou por salas de concerto no Brasil e no mundo, deixando uma marca indelével na história da música erudita.
Antes de alcançar a fama internacional, Proença já tocava em bares e clubes do sul do Brasil, lapidando seu talento único. Depois, aprimorou sua técnica em Hamburgo e Hannover, na Alemanha, onde também se apresentou em concertos antes de voltar ao Brasil e se estabelecer no Rio de Janeiro.
Sua discografia é um tesouro da música brasileira, com interpretações memoráveis de compositores como Alberto Nepomuceno (1864-1920), César Guerra-Peixe (1914-1993), Edino Krieger (1928-2022), Ernesto Nazareth (1863-1934), Oscar Lorenzo Fernández (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e, claro, o mestre Heitor Villa-Lobos (1887-1959), cujas serestas e cirandas foram magistralmente interpretadas por Proença. Em 2005, essa riqueza musical foi compilada na coletânea “Piano Brasileiro”, com dez CDs que revelam a maestria e a sensibilidade do artista. Olha só que legado!
Mas a influência de Miguel Proença transcende a sua brilhante carreira como pianista. Ele foi um educador e gestor cultural excepcional. Entre 1983 e 1988, ocupou o cargo de Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, período em que fundou a Orquestra de Câmara da Cidade. Também dirigiu a Sala Cecília Meireles (em 1987 e novamente entre abril de 2017 e dezembro de 2018) e a Escola de Música Villa-Lobos. Incansável, né?
Com o projeto “Piano Brasil”, Proença democratizou o acesso à música erudita, levando masterclasses e recitais a diversas cidades, principalmente aquelas com menor acesso a esse tipo de evento cultural. Isso é incrível!
A morte de Miguel Proença deixa um vazio imenso no cenário musical brasileiro. No entanto, sua obra e seu legado como pianista, educador e gestor cultural continuarão a inspirar gerações de músicos e amantes da música. Sua paixão pelo piano, aquela paixão à primeira vista nas ruas de Quaraí, ecoará para sempre em nossas memórias. Ele deixa um legado que vai muito além da música, um legado de dedicação, paixão e amor à arte brasileira.
Fonte da Matéria: g1.globo.com