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Mistério em Santa Cruz: Morte de estudante brasileiro levanta suspeitas na Bolívia

Tragédia chocante abalou a família de Igor Rafael Oliveira Souza, 32 anos, estudante de medicina que morreu na terça-feira, 26 de setembro, em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia. A cidade, localizada a 550 quilômetros da capital La Paz, foi palco de uma morte que ainda está envolta em mistério e que deixa a família em busca de respostas. Igor, segundo informações da família, morava na Bolívia desde 2015 e cursava o último ano de medicina em uma universidade local.

Imagens de câmeras de segurança, divulgadas pela imprensa boliviana e obtidas pela TV Globo, mostram momentos cruciais que antecedem a morte de Igor. Em um vídeo, ele aparece aparentemente desorientado, entrando em uma papelaria no bairro Equipetrol. Minutos depois, outro vídeo o mostra caído na calçada, sem vida. Nossa, que situação! Uma autoridade, sem identificação nas imagens, menciona a possibilidade de asfixia como causa da morte.

A mãe de Igor, a professora aposentada Neidimar Oliveira Souza, em entrevista à TV Globo, relatou à emissora que o filho sofria de depressão e havia se envolvido com drogas. “A saúde mental dele tava muito abalada, ele precisava de ajuda. A gente tava providenciando pra ele voltar pro Brasil e fazer tratamento aqui”, desabafou Neidimar, com a voz embargada. A família acredita que Igor sofreu um surto psicótico, saiu pelas ruas pedindo socorro, achando que estava sendo perseguido. “Ele surtou no prédio onde morava, gritando por ajuda. Aí, chamaram os seguranças de uma escola alemã por perto, e esses seguranças mataram meu filho, asfixiando-o”, acusou a mãe, devastada.

A versão da família é de que os guardas da escola alemã teriam imobilizado Igor, prendendo-lhe as mãos, segundo relato de uma ex-namorada do estudante que reside na Bolívia. Quando a ambulância chegou, ele já estava sem pulsação. Que horror!

O Itamaraty, por meio de nota enviada à TV Globo, confirmou que acompanha o caso e presta assistência consular à família. O consulado-geral do Brasil em Santa Cruz de La Sierra está envolvido. Entretanto, a nota não detalha o tipo de assistência oferecida, nem se o governo brasileiro arcará com os custos do traslado do corpo. O Itamaraty apenas afirma que sua atuação se baseia na legislação internacional e nacional.

A família, residente no Gama, Distrito Federal, planeja viajar à Bolívia neste domingo (31) para lidar com os trâmites burocráticos e buscar explicações das autoridades bolivianas. A situação financeira da família é crítica. O custo do translado do corpo de Igor para o Brasil é estimado em mais de R$ 26 mil, um valor inacessível para Neidimar, que está organizando uma vaquinha entre amigos e vizinhos. Até a tarde de sexta-feira, pouco mais de R$ 4,5 mil haviam sido arrecadados. Ela chegou a procurar o Itamaraty por ajuda financeira, mas sem sucesso.

Vale lembrar que, após a morte da brasileira Juliana Marins, na Indonésia, o presidente Lula (PT) alterou um decreto que impedia o governo de custear o translado de corpos de brasileiros falecidos no exterior. A nova regra prevê exceções em casos de dificuldades financeiras da família e mortes que geram comoção pública, desde que haja disponibilidade orçamentária. A família de Igor se encaixa nesse perfil, mas ainda aguarda uma definição do Itamaraty sobre o assunto. A situação de Igor, infelizmente, expõe as dificuldades enfrentadas por famílias brasileiras em situações semelhantes no exterior. A investigação da polícia boliviana é crucial para esclarecer as circunstâncias da morte de Igor e trazer justiça à família.

Fonte da Matéria: g1.globo.com