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Milei busca socorro nos EUA após crise econômica na Argentina

A situação econômica argentina tá complicada, gente! O presidente Javier Milei, numa verdadeira corrida contra o tempo, recebeu um fôlego – econômico e político – de Donald Trump. Os dois se encontraram em Nova York, e a cena foi… impressionante. “Ele tem feito um trabalho fantástico”, declarou Trump ao lado de Milei.

Imagina só a repercussão! Repórteres logo perguntaram se Trump ia “resgatar” a Argentina. A resposta? “Nós vamos ajudá-los”, disse ele, bem direto. Mas qual ajuda?

Pouco antes da abertura da bolsa em Wall Street, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, soltou no X (antigo Twitter) que os EUA estão prontos pra fazer “o que for necessário” pra apoiar a Argentina. Todas as opções, segundo ele, estão em jogo.

A mensagem foi clara pro mercado: um empréstimo dos EUA ao governo Milei é uma possibilidade real. Bessent citou algumas opções, como a linha de swap cambial, compra direta de dólares e até a compra de títulos públicos em dólares pelo Fundo de Estabilização do Tesouro (ESF) – um fundo emergencial dos EUA.

Se rolar, será algo inusitado. A última vez que algo parecido aconteceu foi em 1994, quando o presidente Bill Clinton emprestou quase US$ 20 bilhões do ESF pro México, durante a crise do “Efeito Tequila”.

E não parou por aí! No dia seguinte, o Banco Mundial – onde os EUA são os maiores acionistas – acelerou o apoio a Milei, prometendo US$ 4 bilhões de um pacote total de US$ 12 bilhões nos próximos meses. Trump, aliás, deu a Milei uma cópia da mensagem de apoio que postou nas redes sociais.

Mas como a situação chegou a esse ponto? Afinal, o início do governo Milei foi marcado por euforia nos mercados. Investidores aplaudiam os cortes de gastos, a redução do déficit fiscal, a promessa de controlar a inflação, e um acordo de US$ 20 bilhões com o FMI. Tudo parecia caminhar bem.

Porém, a partir de meados do ano, as coisas começaram a desandar. As reservas do Banco Central estavam quase zeradas, o apoio político minguava e a desconfiança dos investidores crescia. O Banco Central teve que tomar medidas emergenciais, injetando mais de US$ 1 bilhão em reservas pra tentar estabilizar o mercado cambial.

A pergunta que fica é: como a economia argentina se deteriorou tanto em tão pouco tempo? Vários fatores contribuíram:

1. **Escassez de dólares:** A economista Marina Dal Poggetto, da Eco Go Consultores, diz que Milei começou bem, com o Banco Central comprando dólares e reduzindo o déficit. Isso gerou confiança no mercado. Milei, segundo ela, “está amarrado à taxa de câmbio para baixar a inflação”, controlando o preço do dólar. Mas o modelo começou a ruir quando o país ficou sem dólares. A dívida pública, em pesos e dólares, precisava ser refinanciada, mas as reservas eram insuficientes. A falta de dólares levou a um aperto monetário, com altas taxas de juros que prejudicaram o crescimento. Em julho, a situação já estava crítica, e a desconfiança só aumentava. A derrota eleitoral em setembro na província de Buenos Aires piorou tudo.

2. **Contexto político:** As expectativas eram de que Milei faria ajustes fiscais, acumularia dólares e teria vitórias eleitorais até 2027. Os ajustes fiscais aconteceram, mas as outras duas metas não. A derrota nas eleições na província de Buenos Aires, a maior do país, foi um duro golpe. Milei considerava esse pleito um teste crucial. Pra piorar, um escândalo de corrupção envolvendo sua irmã, Karina Milei, afetou ainda mais a confiança. Com minoria no Congresso, vários projetos foram rejeitados, e os governadores exigiam recursos em troca de apoio. A popularidade de Milei caiu, deixando os investidores ainda mais preocupados. O desafio agora é chegar ao fim de outubro sem mais problemas e construir acordos políticos.

3. **Peso supervalorizado:** Economistas concordam que o peso argentino está supervalorizado, entre 20% e 30% acima do normal, segundo alguns. Mauricio Monge, da Oxford Economics, diz que essa supervalorização é uma das principais causas da crise. Pra gerar confiança e garantir pagamentos de títulos, o país precisa de uma desvalorização cambial. As opções incluem liberalizar a taxa de câmbio (o que não é ideal) ou ajustar os limites da flutuação do dólar. O ideal seria aumentar as exportações e reduzir as importações pra gerar mais dólares e um superávit comercial.

Em outubro, haverá eleições legislativas, um teste crucial para Milei. Se os resultados forem ruins, o impacto nos mercados será grande. Mesmo com o apoio dos EUA, o futuro ainda é incerto. Ninguém sabe ainda quanto os EUA vão emprestar, nem em que condições, e o que a Casa Branca espera em troca. As próximas semanas serão decisivas.

Fonte da Matéria: g1.globo.com