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Dor e Esperança: Israelenses clamam por reconhecimento do Estado Palestino

A tragédia do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que vitimou milhares de israelenses, incluindo os pais de Maoz Inon, gerou uma onda de luto, mas também de esperança por um futuro diferente. Inon, um empresário do setor turístico de 49 anos, jura que não buscará vingança. Na real, ele acredita que a reconciliação é o único caminho. E, sabe?, ele não tá sozinho. Milhares de israelenses se unem a ele num apelo à comunidade internacional: o reconhecimento formal do Estado da Palestina.

A iniciativa ganha força às vésperas da Assembleia Geral da ONU, onde vários países ocidentais, como França, Reino Unido, Bélgica, Canadá e Austrália, já sinalizaram a intenção de reconhecer o Estado palestino. Isso é incrível! Inon, que já participou de movimentos pela paz há 20 anos, defende o diálogo e o perdão mútuo como pilares para a segurança na região. “Vingança não traz de volta os mortos”, afirma ele, em entrevista à AFP em Tel Aviv. “Só intensifica esse ciclo infernal de violência que nos assombra há mais de um século, não só desde 7 de outubro.”

Antes mesmo do ataque, Inon já previa uma explosão de violência. Anos de ocupação, opressão e muros criaram um clima insustentável. “Eu sabia que ia explodir”, conta ele, lamentando: “Nunca imaginei, nem no pior dos meus pesadelos, que eu pagaria esse preço”.

Mas, olha só, a realidade é dura. Uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew mostra que apenas 21% dos israelenses acreditam na coexistência pacífica entre Israel e um Estado Palestino – o menor índice desde 2013. Apesar disso, a campanha “Não à guerra – Sim ao reconhecimento”, já colheu mais de 8.500 assinaturas e almeja chegar a 10.000 para apresentar na ONU. O texto da campanha é claro: “Reconhecer um Estado Palestino não é punir Israel, mas sim construir um futuro mais seguro, baseado no reconhecimento mútuo e na segurança para ambos os povos”.

A campanha é liderada pelo movimento Zazim, que espalhou milhares de cartazes e instalou um outdoor em Tel Aviv. Raluca Ganea, cofundadora do movimento, destaca que, após o ataque de 8 de outubro, ficou claro que a antiga estratégia de “gerenciar o conflito” ruiu. “Tínhamos duas opções: destruição mútua ou a solução de dois Estados”, afirma ela.

A situação em Gaza, aliás, vai dominar a Assembleia Geral da ONU, que começa na segunda-feira. A cofundadora do Zazim acredita que o reconhecimento do Estado palestino seria um passo crucial para acabar com a “desumanização” dos palestinos, especialmente em Gaza, dando-lhes o mesmo “status que outras nações”.

Inon reforça que o reconhecimento precisa vir acompanhado de ações concretas. “Todos que boicotam a solução de dois Estados devem ser punidos, devem sofrer sanções”, comenta ele. O mesmo sentimento é compartilhado por Yonatan Zeigen, que perdeu sua mãe, a ativista pela paz Vivian Silver, no Kibutz Beeri, em 7 de outubro. “Acompanhei a morte da minha mãe por telefone”, relata ele, descrevendo a sensação de “impotência total”. Agora, ele acredita que “o único futuro viável é a partilha da terra pelos dois povos”. “A libertação palestina e a segurança israelense dependem dos direitos básicos dos palestinos”, afirma.

Porém, a realidade política é complexa. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que “não haverá Estado palestino”, e membros da extrema-direita de seu governo impulsionam a expansão de colonatos na Cisjordânia ocupada, dificultando ainda mais a perspectiva de paz. A situação é agravada pelos ataques de Israel em Gaza, que já causaram a morte de pelo menos 34 pessoas.

Fonte da Matéria: g1.globo.com