O Rock in Rio 2024 mandou um recado claro: o trap, essa vertente mais “arrastada” do rap que surgiu nos EUA e por um bom tempo foi considerada nicho, não só chegou ao Brasil como virou um negócio da pesada! Olha só: Orochi, Matuê, MC Cabelinho e o astro americano Travis Scott, a atração principal da noite, se apresentaram para uma galera super engajada, a mais animada dos sete dias do festival.
Isso é inacreditável! O The Town, festival dos mesmos donos do Rock in Rio, mas em Sampa, vai tentar repetir a dose neste sábado (6), com um line-up lotadão de artistas do estilo, e adivinha quem tá de volta? Travis Scott, o cara! Na real, esse rapper de Houston (EUA) é o nome mais forte dessa cena e tá no centro dessa transformação toda que fez os shows de trap se tornarem os mais disputados.
O trap nasceu nas ruas de Atlanta (EUA) e estourou em meados dos anos 2000, principalmente graças aos rappers Gucci Mane e T.I. – foi o T.I. quem popularizou o termo com o álbum “Trap Muzik” (2003). Nos últimos 20 anos, esse som, com suas batidas lentas e graves profundos, virou um pilar do pop americano, lançando estrelas como 21 Savage, Playboi Carti e o próprio Travis Scott.
Travis, que já trabalhou com gigantes como Kanye West, Kendrick Lamar, Rihanna e The Weeknd, é considerado um dos principais responsáveis pelo sucesso do trap. Nos seus álbuns, ele incorporou batidas mais complexas e várias camadas de som novas, misturando com outros ritmos. E, sabe o que mais? Ele mudou a forma como os artistas desse estilo se apresentam nos palcos.
“Ele revolucionou o movimento”, crava Teto, um dos grandes nomes do trap que se apresenta no The Town 2025, no primeiro dia do evento. Em entrevista ao g1 Ouviu, podcast de música do g1, ele explicou como Travis Scott mexeu com o mercado, criando shows que focam na experiência do público.
“Toda a estética que a gente usa hoje nos shows, com autotune, interação com a galera, explosões… o Travis já fazia isso há muito tempo, quando eu ainda nem ouvia trap. Virou uma referência”, disse Teto. “Ele domina o palco, deixa a galera enlouquecida de um jeito inexplicável, causa um terremoto!”, completou.
Poucos rappers hoje em dia conseguem mexer tanto com o público quanto Travis. Desde sua primeira apresentação no Brasil, no Primavera Sound 2022 em São Paulo, ele mostrou shows que vão muito além da música, com efeitos visuais incríveis e um controle total da plateia. Com ele no comando, a galera grita, pula que nem louca e forma rodas gigantes ao som de batidas pesadas e psicodélicas.
Esse nível de engajamento não é moleza para um festival, não é? A geração Z (nascidos a partir de 1995) domina esses eventos na era pós-pandemia e esse público não tá nem aí para shows longos se não tiver um vídeo rápido para o TikTok.
Em 2025, o Lollapalooza tentou resolver isso colocando artistas que bombam no TikTok, muitos no começo da carreira. Mas o resultado? Público super animado em uma música (o hit viral) e disperso no resto do show.
Com quatro álbuns em dez anos, Travis conseguiu unir, nos festivais brasileiros, o apelo da galera jovem e a experiência no palco. E, de quebra, abriu espaço para os artistas brasileiros de trap.
O trap chegou ao Brasil em 2014 como uma subcultura meio obscura do rap, longe dos grandes eventos. Dez anos depois, ele se provou no Rock in Rio e ganhou um dia inteiro de shows no The Town 2025. Teto comemora: “Foi um trabalho longo, e ver isso hoje é uma realização.”
Fonte da Matéria: g1.globo.com