Olha só! Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, soltou os cachorros nesta segunda-feira (1º), acusando os EUA de apontar mísseis para o seu país. Segundo ele, oito navios militares americanos, acompanhados de um submarino, já estão a caminho da Venezuela, no Caribe, representando, nas palavras dele, “a maior ameaça à América Latina do último século”. Eita!
Maduro, em entrevista coletiva – dessas raras, sabe? –, afirmou que as embarcações carregam 1.200 mísseis direcionados ao território venezuelano. Aí ele foi direto: se a Venezuela for agredida, entra em “luta armada” imediatamente. Defesa total do território, da história e do povo, disse ele.
Tudo começou em meados de agosto, quando o governo Trump enviou essa força naval – sete navios, um submarino nuclear e aviões espiões P-8 – para perto da costa venezuelana. A justificativa oficial? Operação contra cartéis de drogas na América Latina. Mas, na real, muita gente especula sobre uma possível intervenção contra o regime de Maduro. O governo Trump, oficialmente, fica em cima do muro: nem nega, nem confirma.
Maduro, claro, chamou a operação de “criminosa e imoral”. Ele não tá nada feliz, não!
A operação americana, segundo informações, envolve pelo menos sete navios, incluindo um esquadrão anfíbio, cerca de 4.500 militares e, como já dito, o submarino. Os aviões espiões sobrevoaram a região, em águas internacionais. A estratégia americana se baseia na alegação de que Maduro lidera o Cartel de los Soles, considerado uma organização terrorista pelos EUA. Os americanos, inclusive, oferecem US$ 50 milhões por informações que levem à prisão dele. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, evitou comentar os objetivos militares, mas garantiu que o governo Trump usará “toda a força” contra Maduro. Uau!
O site Axios, por sua vez, revelou que Trump pediu um “menu de opções” sobre a Venezuela. Fontes ouvidas pela imprensa americana não descartam uma invasão futura.
Enquanto isso, Caracas considera a movimentação americana uma ameaça e já mobilizou militares e milicianos. A tensão tá no ar!
Analistas da Reuters acham que a frota enviada ao sul do Caribe é desproporcional para uma simples ação anti-tráfico. Um esquadrão anfíbio, por exemplo, pode ser usado em uma invasão terrestre. Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, acha que uma invasão terrestre, num primeiro momento, pode ser inviável, mas um bombardeio… é possível. Ele compara a situação com a do Irã, meses atrás: “Não é simplesmente um blefe. Há preparação para algum tipo de intervenção militar.”
Os EUA dizem que a operação visa bloquear o tráfico de drogas para o país. Só que, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas de 2025 da ONU, as principais drogas consumidas nos EUA não vêm da Venezuela. Hum… Tem algo mais aí, né?
Há quem diga que Trump está de olho no petróleo venezuelano. Em 2023, antes de sua reeleição, ele declarou que, se tivesse vencido as eleições de 2020, teria aproveitado a crise na Venezuela para “tomar” o país e “pegar todo aquele petróleo”. A Venezuela, segundo o Relatório Mundial de Energia de 2025, tem as maiores reservas de petróleo do mundo (302,3 bilhões de barris), enquanto os EUA ocupam a 9ª posição e o Brasil a 15ª.
Na sexta-feira (29), o Axios, citando fontes da Casa Branca, revelou que os assessores de Trump ainda não decidiram se a operação militar visa uma mudança de regime na Venezuela. Trump pediu um “menu de opções” e ainda vai decidir. Uma invasão é considerada improvável por enquanto, mas não descartada. As possibilidades em debate incluem ataques aéreos contra instalações ligadas à produção de cocaína ou a cartéis, e até mesmo o uso de drones contra o próprio Maduro – essa última hipótese é vista como menos provável.
Santoro acredita que, num eventual ataque americano, a capacidade defensiva da Venezuela seria muito limitada, já que seu arsenal militar é defasado e pequeno comparado ao poderio americano.
Diante da situação, o governo venezuelano enviou uma carta à ONU pedindo ajuda, classificando a ofensiva como “ameaça gravíssima” e solicitando pressão sobre Washington para que respeite a soberania venezuelana. A carta, enviada ao secretário-geral António Guterres na quarta-feira (27), ainda não teve resposta.
Maduro, em meio a tudo isso, apareceu fardado visitando tropas, afirmou que o país está “mais preparado para defender a paz, a soberania e a integridade territorial” e chamou a ação americana de “guerra psicológica”. Na semana passada, ele já havia anunciado a mobilização de 4,5 milhões de milicianos e o envio de 15 mil militares para a fronteira com a Colômbia. A situação é, no mínimo, tensa.
Fonte da Matéria: g1.globo.com