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Adeus a Luis Fernando Verissimo: Um Gigante da Literatura Brasileira se Despede aos 88 Anos

Porto Alegre se despediu neste sábado, 30 de julho, de um de seus maiores filhos: Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. A notícia, confirmada pela família, causou comoção nacional. O mestre das letras estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento há cerca de três semanas, lutando contra um princípio de pneumonia.

Sabe? A gente sabia que ele vinha enfrentando alguns problemas de saúde. Verissimo sofria de Parkinson e problemas cardíacos, além de ter sofrido um AVC em 2021. Por causa disso, suas habilidades motoras e de comunicação estavam limitadas nos últimos tempos. Mas, mesmo assim, a notícia pegou muita gente de surpresa.

Apesar da discrição que o caracterizava – tanto em seus hábitos quanto em suas declarações públicas –, o legado de Verissimo é imenso. Mais de 5,6 milhões de livros vendidos! Isso sem contar a legião de fãs que se encantaram com seus personagens inesquecíveis, como o icônico Ed Mort, o perspicaz analista de Bagé e a hilária velhinha de Taubaté. Que personagens, né?

Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, filho do também escritor Érico Verissimo e de Mafalda Verissimo, Luis Fernando começou seus estudos na capital gaúcha. Aos 16 anos, embarcou para os Estados Unidos, onde descobriu outra paixão: o saxofone. O instrumento o acompanhou até o fim da vida, um contraponto harmonioso à sua brilhante carreira literária.

Casado com Lúcia Verissimo por mais de 50 anos – a quem chamava carinhosamente de sua primeira “namorada séria” –, o escritor deixa três filhos: Fernanda, Mariana e Pedro. Olha só a família que ele construiu!

Sua trajetória na literatura é impressionante: mais de 70 livros publicados, colunas fixas em importantes veículos como “O Estado de S.Paulo”, “O Globo” e “Zero Hora”. Antes mesmo do lançamento de seu primeiro livro, “O Popular”, em 1973, ele já trabalhava no jornal “Zero Hora”, em Porto Alegre, desde 1966, como revisor e em outras funções jornalísticas.

Até o fim, ele viveu na casa onde cresceu, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre – um imóvel adquirido pelo pai em 1941. O escritório de Érico Verissimo, aliás, permanece intacto, um museu vivo da história literária da família. Luis Fernando, cercado por livros, tinha o hábito de escrever em outro cômodo da casa, onde guardava seu amado saxofone, além de uma coleção invejável de discos e CDs de jazz. Sua rotina era metódica: só interrompia o trabalho quando Lúcia o chamava para o almoço. À noite, o compromisso era com o Jornal Nacional. E o jazz? “Música é sentar e ouvir”, costumava dizer, em entrevista ao ge em abril de 2012.

[Links para vídeos da carreira e fotos da trajetória do escritor]

[Link para repercussão entre artistas]

[Link para relembrar as tirinhas humorísticas da ditadura]

[Link para releitura das últimas colunas no jornal Zero Hora]

Sua obra é marcada por um humor refinado, capaz de brincar com a metafísica sem perder a leveza. Contos e crônicas hilárias, personagens inesquecíveis… “Ed Mort e outras histórias” (1979), “O analista de Bagé” (1981), “A velhinha de Taubaté” (1983) e a icônica tirinha “As Cobras”, publicada na “Folha da Manhã” nos anos 70, são apenas alguns exemplos. “Comédias da vida privada” (1994) virou até série na Rede Globo! Sucessos como “Comédias para se ler na escola” e “As mentiras que os homens contam” (2000) consolidaram seu lugar no imaginário brasileiro. Seu último livro, “Diálogos impossíveis” (2012), imaginava encontros improváveis, como entre Drácula e Batman. Incrível, né?

Em 2012, também lançou o quinto disco com sua banda Jazz 6, na qual tocava saxofone desde 1995. Na Festa Literária de Paraty (FLIP), naquele mesmo ano, falou sobre as viagens com a banda: “Chegamos até Natal. Foi o mais perto de Nova York. Quem sabe um dia não tocamos lá?”, brincou, revelando a admiração pelo nova-iorquino Woody Allen, com quem compartilhava a paixão pelo jazz instrumental. Na mesma Flip, comentou sobre os textos falsos atribuídos a ele na internet: “Qualquer pessoa pode botar o texto que quiser na internet. Não tem o que fazer. Tem que se resignar.”

Em entrevista ao “GloboNews literatura”, em março de 2012, respondeu à pergunta sobre sua introspecção: “Não sou eu que falo pouco, os outros é que falam muito”.

Além da literatura e do jazz, Luis Fernando Verissimo era apaixonado por futebol, especialmente pelo Internacional. Sua paixão pelo clube gaúcho é tema do livro “Internacional, Autobiografia de uma Paixão”. Em entrevista de abril de 2012, relembrou seu primeiro jogo no Estádio dos Eucaliptos: “Lembro a emoção de estar em campo… Nunca vou me esquecer também do cheiro de grama”. Ele cobriu Copas do Mundo a partir de 1986, e escreveu sobre a paixão colorada, como na crônica “Não me acordem”, em que celebra o título do Mundial de Clubes de 2006.

[Imagem de Luis Fernando Verissimo em agosto de 1998]

[Link para o acervo completo da obra de Luis Fernando Verissimo]

A partida de Luis Fernando Verissimo deixa um vazio na literatura brasileira, mas sua obra continuará a nos fazer rir, pensar e refletir por muitas gerações. Descanse em paz, mestre.

Fonte da Matéria: g1.globo.com