Donald Trump, o ex-presidente dos EUA, anunciou na segunda (25) a demissão de Lisa Cook do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A decisão, pra lá de polêmica, gerou um terremoto no mercado e acendeu o alerta sobre a interferência política na instituição. Na terça (26), Trump, numa reunião ministerial, declarou que já tem uma substituta em vista, e que existem “várias pessoas muito boas” sendo consideradas. “Na real, eu já tenho alguém em mente”, afirmou Trump, deixando claro que a escolha tá encaminhada. “A gente tá avaliando diversas candidaturas, e várias pessoas vão participar dessa decisão.”
A demissão de Cook, a primeira mulher negra no conselho do Fed, é considerada por muitos um ataque frontal à independência do banco central. Ela mesma, na sexta (22), já havia se posicionado firmemente, afirmando que não cederia a pressões para renunciar. E, pasmem, seu advogado já anunciou que ela vai recorrer à Justiça contra a decisão de Trump. Isso é inacreditável!
A situação fica ainda mais tensa com a renúncia de Adriana Kugler, outra diretora do Fed, anunciada no início do mês. Com essas duas vagas abertas, Trump tem a chance de colocar pessoas alinhadas com sua visão econômica no comando do Fed. O Wall Street Journal, inclusive, especula sobre possíveis candidatos, como Stephen Miran, conselheiro econômico próximo de Trump, e David Malpass, ex-presidente do Banco Mundial. Meu Deus!
Segundo o Financial Times, se Trump conseguir maioria no conselho, de sete membros, ele poderá, inclusive, substituir os chefes dos 12 bancos regionais do Fed – aumentando ainda mais seu poder sobre as taxas de juros do país. Isso seria um desastre!
Mas calma, existe um porém: especialistas jurídicos afirmam que Trump precisa provar “justa causa” para a demissão de Cook. Isso significa enfrentar um processo judicial, demonstrando, por exemplo, fraude hipotecária – algo que configuraria má conduta grave. A acusação de Trump, aliás, se baseia em supostas irregularidades no financiamento de imóveis de Cook. Ele alegou, em carta, que ela declarou duas residências como principais para obter melhores condições de financiamento, algo que a lei do Fed considera falta grave.
Em nota oficial, o advogado de Cook rebateu as acusações, afirmando que “não há motivo legal” para a demissão e que ela “não vai renunciar”. “O presidente Trump alegou justa causa, mas não existe justa causa prevista em lei, e ele não tem autoridade para isso”, disse o advogado. O caso já foi encaminhado ao Departamento de Justiça para investigação. A situação, no mínimo, é delicada e promete um embate jurídico intenso.
Fonte da Matéria: g1.globo.com