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Anitta e a busca pela beleza padrão: o reflexo da padronização estética entre celebridades

A mais recente transformação estética de Anitta gerou um burburinho nas redes sociais, principalmente pela semelhança impressionante com Ludmilla. Isso reacendeu, e que reacendeu, o debate sobre a crescente uniformidade na aparência de figuras públicas. A gente vê por aí narizes finos, olhinhos puxados, bocão volumoso e maxilar super definido… tá parecendo um checklist, né?

Para o cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira, os procedimentos faciais são os que mais modificam a aparência. “Se a pessoa opera o corpo, a mudança fica mais discreta. Agora, na face, tudo fica evidente! Uma pequena alteração no nariz já transforma totalmente o rosto. E uma cirurgia exagerada, com muito produto, apaga a personalidade da pessoa”, explica o médico.

Ele acredita que Anitta pode ter feito preenchimento nas maçãs do rosto, além de intervenções nas pálpebras e no nariz. “A expressão dela mudou bastante. Na minha opinião, foi um exagero. Não sei se foi exatamente o que ela queria ou se o profissional entendeu o que ela desejava. De qualquer forma, o resultado é uma mudança radical na face”, comenta o especialista.

Anitta e Ludmilla: a semelhança estética entre as cantoras levantou uma discussão importante sobre a padronização de beleza.
(Reprodução/Instagram)

Não há provas de que Anitta usou fotos de Ludmilla como referência, mas usar imagens de outras pessoas como inspiração para procedimentos estéticos é algo bem comum. O Dr. Pereira lembra: “Quando comecei, uns 20 anos atrás, era normal pacientes chegarem com fotos de artistas, querendo ficar iguais. Hoje, isso é quase impossível de fazer sem causar deformações. Um cirurgião sem responsabilidade pode acabar fazendo uma série de barbaridades e deformando as pessoas. A face reflete a personalidade, e deformá-la pode ter consequências psicológicas e emocionais graves para o paciente”.

O médico também destaca a padronização da beleza entre celebridades e influenciadores. “Acho que todos eles querem se parecer com os outros. Isso gera um monte de gente deformada! As pessoas não se aceitam como são e tentam se espelhar em figuras públicas”, afirma.

A pandemia intensificou essa busca pela uniformidade estética. Em 2020, influenciadoras como Flayslane, Flávia Pavanelli e Gabi Prado fizeram procedimentos que viralizaram na internet.

Flávia Pavanelli, Flayslane, Bianca Andrade, Kylie Jenner e Gabi Prado.
(Reprodução/Instagram)

A rinoplastia da Flayslane e os “foxy eyes” – técnica para alongar os olhos – adotadas por Flávia e Gabi, explodiram nas redes. As buscas por rinoplastia aumentaram 78%, enquanto as por “foxy eyes” tiveram um crescimento de mais de 1.250%! O resultado? Um padrão de rosto com características marcantes: olhos amendoados, nariz fino e arrebitado, maçãs do rosto altas, bochechas definidas, boca volumosa e maxilar forte.

E isso não se limita às mulheres, viu? Homens também buscam procedimentos como preenchimento facial para definir o maxilar, modelar o nariz e alongar o queixo. Alok, Lucas Gallina (ex-BBB) e Carlinhos Maia são alguns exemplos.

Para alcançar esse “rosto ideal”, são usados preenchimentos com ácido hialurônico para dar volume à boca e modelar o rosto; rinoplastia ou rinomodelação para o nariz; e fios absorvíveis para os “olhos de raposa”. Os preços variam bastante, dependendo da clínica e do profissional. Dermatologistas, dentistas e esteticistas são os principais responsáveis por essas “harmonizações”.

As irmãs Kardashian e Jenner: as culpadas?

Não tem como negar: as irmãs Kardashian e Jenner são grandes referências para esse “rosto de influenciadora”. Kim e Kylie, ícones de moda e beleza, com milhões de seguidores no Instagram, misturam traços de diversas etnias: olhos puxados, lábios grossos e nariz arrebitado. As especialistas em harmonização facial, a cirurgiã plástica Cintia Benedicto Zandoná e a dermatologista Simone Neri, concordam que a internet e a globalização tiveram um papel crucial nessa padronização. “A internet espalhou globalmente os padrões de beleza locais, criando um modelo global”, diz Zandoná.

Segundo a ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética), o Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas, com 3.123.758 procedimentos em 2023. Destes, 75% foram cirurgias (2.354.513), sendo a região dos olhos e nariz as mais procuradas. Os outros 25% (769.245) foram procedimentos não-cirúrgicos, como aplicação de toxina botulínica.

Fonte da Matéria: g1.globo.com